O que as famílias esperam da escola?

O que as famílias esperam da escola?

Em meio às mudanças que delineiam novos horizontes para a educação, famílias refletem sobre suas expectativas quanto à influência dos professores sobre os alunos, formação integral, ensino de idiomas e religião, atividades extracurriculares, infraestrutura e classificação da escola no Enem e nos principais vestibulares. 

Texto Lara Silbiger – Foto Ricardo Davino 

A volta às aulas teve um gostinho diferente em 2019. A expectativa não girou em torno apenas dos reencontros, do planejamento das aulas ou das primeiras reuniões com os pais e responsáveis. Dessa vez, o começo do ano letivo veio acompanhado de reformas estruturais, mudanças no cenário político e, principalmente, intensas discussões ideológicas. Se o contexto já era complexo até para os profissionais da Educação, quem dirá para as famílias. De um lado, elas assistem à reformulação dos currículos e propostas pedagógicas de escolas e redes de ensino de todo o país para atender as exigências da bncc (Base Nacional Comum Curricular). De outro, tentam se familiarizar com os conceitos de competência, habilidade e formação integral e ainda se inteirar sobre a proposta da Escola sem Partido (PL 7180/14). A tudo isso, soma-se a polarização nos debates públicos, o que também obriga mães e pais a decidir de que lado ficar.

A tarefa, que não é das mais simples, exige que as famílias se aproximem das escolas para entender o que está em jogo com as novidades na Educação Básica, ou seja, quais são os riscos e as oportunidades. Nesse movimento, reelaborar as expectativas em relação aos espaços formais de ensino será inevitável.

Nesta edição, a educatrix percorreu todas as regiões do país para conversar com seis famílias que já mergulharam nessa reflexão. Todas elas foram desafiadas a imaginar como seria a escola ideal para seus filhos. Confira a seguir os principais trechos das entrevistas.

[NORDESTE] Natal (RN) 

Andre Luchessi e Vivian Nogueira são docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Eles são pais de Yasmin, 5, que estuda no Colégio Bilíngue Marie Jost, e Erik, 3, que frequenta a New Generation Canadian Preschool.

Educatrix Você considera a formação integral uma premissa da educação no século XXI?

Vivian Se por um lado as crianças têm cada vez mais acesso à informação e a estímulos para o desenvolvimento cognitivo, de outro precisam aprender a lidar com tudo isso — da ansiedade e imediatismo da era touch à conexão permanente dos pais ao trabalho graças aos conceitos de mobilidade e conectividade. Por isso, já não dá para conceber uma escola que não contemple a dimensão socioemocional do desenvolvimento. Para aprender, o aluno precisa antes estar bem psicologicamente, fisicamente e socialmente. 

Educatrix O projeto da Escola sem Partido vem ao encontro das suas expectativas?

Andre Cabe à escola formar cidadãos autônomos e com consciência política, o que não significa impor-lhes direcionamentos políticos, morais, ideológicos ou religiosos. Nesse sentido, estou de acordo com o projeto de lei quando este reconhece o aluno como sujeito vulnerável frente à influência do professor. Este precisa ter consciência do seu papel e não sair falando o que bem quiser na aula – há outros espaços para fazer isso. Não só como pai, mas também como docente, entendo que a liberdade de expressão deva caminhar lado a lado com a responsabilidade pelo que se diz e o que se faz. Outro ponto com o qual concordo é a possibilidade de a família decidir sobre expor ou não o filho a determinados assuntos na escola ou, pelo menos, de ser informada previamente de que aqueles temas serão abordados. 

Educatrix Quais valores você espera que a escola transmita?

Vivian Em linhas gerais, valores que coincidam com os da minha família: o respeito às diferenças, a valorização dos estudos como meio de desenvolvimento pessoal e profissional, a observância de regras, uma alimentação saudável com cardápios alinhados a princípios de saúde e à promoção do bem-estar e uma oferta diversificada de modalidades esportivas. 

Educatrix Qual a importância que você atribui ao ensino de idiomas?

Vivian Quero que meus filhos tenham a possibilidade de, no futuro, escolher o que quiserem ser e, sem dúvida, o inglês abrirá portas para eles. É fundamental que a escola valorize a globalização, reconheça que não existe só o Brasil como opção e apresente aos alunos outras culturas, línguas e formas de viver. É com vistas a esse contexto global que espero que a escola invista no ensino de idiomas. 

Educatrix Como deve ser a infraestrutura da escola?

Vivian O mobiliário precisa estar adequado à idade e às especificidades dos alunos. É bom que haja áreas verdes para proporcionar o contato com a natureza. Outro pré-requisito é a segurança – no interior da escola, para a prevenção de acidentes, e no exterior, para afastar a criminalidade. Quero saber que posso estacionar o carro e levar ou buscar minhas crianças com tranquilidade. 

Educatrix Destacar-se no ranking do Enem e dos principais vestibulares do país é um pré-requisito?

Andre Por si só, a boa classificação não é determinante para afirmar que uma escola seja melhor que outra. No entanto, daqui uns anos, meus filhos não terão como escapar de fazer o Enem ou outros processos seletivos para ingressar na universidade. Por isso, é inevitável que ainda usemos os rankings como parâmetro na hora de escolher — mesmo sabendo que estes não dizem muito sobre a formação que a escola proporciona.

[NORDESTE] Salvador (BA)

Rosângela Accioly é pedagoga e mãe de Nicole, 14, que estuda no Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira. 

Educatrix Qual é a proposta pedagógica ideal?

Rosângela A proposta pedagógica deve contemplar questões conceituais como diversidade, pluralidade, alteridades civilizatórias e diferença da pessoa com deficiência, bem como conhecimentos científicos – inclusive de povos cujos saberes milenares ficaram de fora do currículo oficial – e novas tecnologias. É fundamental que preveja como desdobrar tudo isso em práticas pedagógicas para os professores. 

Educatrix Destacar-se no ranking do Enem e dos principais vestibulares do país é um pré-requisito?

Rosângela Uma escola direcionada ao Enem ou ao vestibular não tem como dar conta da pessoa humana. Antes, é preciso oferecer espaços de vazão à inventividade e à criatividade para o aluno entender sua própria vocação. Muito além do mercado de trabalho, precisamos reconhecer a escola como um fator de transformação social e afetiva, envolvimento emocional e entendimento de diversidades e pluralidades. Só assim a educação será assertiva e integral. 

Educatrix O projeto da Escola sem Partido vem ao encontro das suas expectativas?

Rosângela Ao meu ver, é uma proposta ideológica de silenciamento político da escola. De silenciamento das diversidades em um lugar que é de debate, por excelência. Vale destacar também que política, na sua essência, quer dizer participação – o que não tem nada a ver com participação político-partidária. Por isso, a escola deve sempre estar disposta a contribuir com o desenvolvimento social e não pode aceitar essa mordaça à sua vocação de diálogo e pluralidade. As mazelas da sociedade e também as soluções precisam ser discutidas na escola: uma instituição libertária e cuja missão é incitar o aluno a perguntar e participar da democracia. 

Educatrix A ideologia de gênero deve ser abordada em sala de aula? Em quais circunstâncias?

Rosângela Falar de ideologia de gênero é necessário quando o tema surge espontaneamente. O professor não precisa ser propositivo, mas ele e os demais profissionais precisam estar aptos a acolher o assunto e a turma, por exemplo, se um menino vier para a aula com roupas tidas como femininas. A escola do século XXI é desafiadora justamente porque grita pela diversidade e pela diferença, algo que não deve ser visto como negativo, mas como um elemento constituidor da nossa humanidade. 

  • [FIQUE POR DENTRO]

ESCOLA SEM PARTIDO

Sem consenso para votação, a proposta da Escola sem Partido (PL 7180/14 e outros) foi arquivada no final da última legislatura. Agora cabe aos novos deputados retomar o assunto. Entre outras coisas, o projeto estabelece seis deveres do professor para apresentar de “forma justa” questões políticas, socioculturais e econômicas e para não se aproveitar da “audiência cativa dos estudantes” em temas relacionados a política, religião e moral. Também proíbe “o uso de técnicas de manipulação psicológica destinadas a obter a adesão dos alunos a determinada causa” e estipula que não haja intromissão “no processo de amadurecimento sexual dos alunos”, nem tentativa de convertê-los no que tange a questões de gênero. 

[NORTE] Macapá (AM) 

Eunubia Rodrigues é licenciada em História e professora dos anos iniciais do Fundamental na rede pública de Macapá. É mãe de Gabriel, 16 anos, que estuda na E.E. Maria do Carmo Viana dos Anjos. 

Educatrix Qual é a proposta pedagógica ideal? 

Eunubia Não vejo problema de o professor manifestar seu posicionamento se ele também respeita pontos de vista diferentes. Isso é diferente de influenciar deliberadamente os alunos ou de questionar as convicções deles. Por outro lado, também confio que meu filho seja um ser pensante e com capacidade de discernimento. 

Educatrix Como deve ser a infraestrutura da escola? 

Eunubia Uma única prova não estabelece parâmetros da qualidade da escola, nem a capacidade do aluno. Por isso, não priorizo resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), Olimpíadas, Enem ou vestibulares, mas valorizo o profissionalismo e o comprometimento da instituição com a formação integral do meu filho. 

[CENTRO-OESTE] Campo Grande (MS) 

Lucimar Mello é técnica de enfermagem na rede pública de Saúde. É mãe de Beatriz, 7, que estuda na Escola Municipal Elpídio Reis, Bruno, 14, que frequenta a Escola Municipal Danda Nunes, e Lucas, 19, já na faculdade. 

Educatrix Qual é a proposta pedagógica da escola ideal? 

Lucimar Em primeiro lugar, deve contemplar a formação em tempo integral para proporcionar aos alunos atividades que os tornem excelentes profissionais no futuro: aulas de informática, inglês e xadrez. Ocupar o dia de forma produtiva enquanto os pais trabalham. Na prática, a maioria não tem tempo de ficar com os filhos e “male-male” acompanha a lição de casa. Outro aspecto fundamental que a proposta pedagógica deveria prever é a capacitação dos professores, bem como a equiparação da qualidade de ensino e direitos de aprendizagem nas escolas públicas em relação às privadas. No ano passado, enquanto minha filha ainda estava aprendendo a ler na escola municipal, os alunos do 2o ano de instituições privadas já faziam até interpretação de texto. 

Educatrix Que valores você deseja que a escola transmita? 

Lucimar A formação de valores não é exclusiva da escola, mas não tem como negar que desempenhe papel importante nesse sentido. Por isso, espero que transmita valores cristãos, promova a empatia e valorize o respeito aos idosos, pais e professores. Gostaria inclusive que voltasse o ensino religioso, sem necessariamente pender para uma denominação ou outra, mas discutir o que é certo perante a Bíblia. É claro que os pais que não concordassem com tal abordagem precisariam ter o direito de autorizar seus filhos a não participar das aulas de Ensino Religioso. 

Educatrix O projeto da Escola sem Partido vem ao encontro das suas expectativas? 

Lucimar Entre outras coisas, concordo que a escola não deve incentivar relacionamentos homoafetivos e atividades sexuais precoces. Defendo inclusive que não haja aulas de educação sexual até o 5o ano do Fundamental. Já no Ensino Médio, o foco deve ser a prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. 

[SUL] Curitiba (PR)

Debora Menegusso é administradora de empresa e mãe de Danilo, 10, que estuda no Colégio Curitibano Adventista. 

Educatrix Qual é a proposta pedagógica ideal? 

Debora O ideal é um ensino mais prático e que não se resuma a aulas expositivas. Gostaria de uma proposta em que meu filho passasse menos tempo em sala de aula, com currículo diversificado – incluindo disciplinas “mão na massa” – e acesso mais próximo ao professor. Definitivamente, estudar não pode ser maçante.

Educatrix Destacar-se no ranking do Enem e dos principais vestibulares do país é um pré-requisito?  autorização.

Debora Não adianta focar só no vestibular, sendo que a vida é muito mais complexa que isso. Escolas que se apoiam em disciplina rígida e preparação estrita para provas de ingresso em universidades acabam sendo inevitavelmente limitadoras. Até mesmo porque há profissões e vestibulares que sequer existirão daqui a alguns anos. Mais importante é proporcionar ao aluno o aprendizado de como chegar aonde se deseja. 

  • [FIQUE POR DENTRO]

FORMAÇÃO INTEGRAL

Formação integral não é sinônimo de educação em tempo integral. Enquanto esta consiste na expansão do tempo que se passa na escola, aquela diz respeito à formação e ao desenvolvimento global dos alunos. De acordo com a BNCC, a formação integral tem como princípio norteador o acolhimento, o reconhecimento e o desenvolvimento pleno do aluno, nas suas singularidades e diversidades. Para isso, contempla o aprendizado em suas dimensões cognitiva, social, emocional e física. A Base sugere ainda que se promovam pontes entre o conhecimento e a vida.  

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

De acordo com a BNCC, as competências consistem na “mobilização de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo de trabalho”. Já as habilidades estão ligadas às aprendizagens essenciais de cada disciplina e ano escolar. Sempre começam com um verbo para explicitar o processo cognitivo envolvido no seu desenvolvimento – por exemplo, em História, “diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo”. 

Educatrix Que valores você deseja que a escola transmita? 

Debora Basicamente, os valores éticos, morais e religiosos que minha família já traz de geração em geração. Cabe, portanto, à escola apenas reforçá-los junto às crianças.

Educatrix As atividades extracurriculares são imprescindíveis?

Debora Não acho que seja de todo ruim o professor manifestar seu posicionamento em sala de aula, pois ainda assim caberá somente ao aluno tomar a sua própria direção. Vale lembrar também que este já chega à escola com certa carga de informações — da família, dos amigos, da religião etc. —, à qual o docente poderá somente somar pontos de vista.

[SUDESTE] São Paulo (SP) 

Cristina Hassunuma é dentista e mãe de Augusto, 11 anos, que estuda no Colégio Vértice. 

Educatrix Qual é a proposta pedagógica ideal? 

Cristina Deve prever conteúdos curriculares e extracurriculares e estimular o desenvolvimento da responsabilidade e autonomia nos estudos, sem nunca perder de vista os vínculos sociais. Almejo também uma escola que atente para a educação integral, com acompanhamento individualizado da aprendizagem do aluno enquanto cidadão. Destaco ainda a necessidade de promover a formação continuada dos professores, sua inclusão na cultura digital e o uso de novas tecnologias para avaliação institucional e educacional. 

Educatrix Destacar-se no ranking do Enem e dos principais vestibulares do país é um pré-requisito? 

Cristina Figurar entre os primeiros lugares do Enem é sempre favorável aos olhos das famílias. Isso porque o resultado tende a ser consequência de um bom ensino e de métodos de avaliação adequados. Ainda assim, vale ponderar que a função da escola não pode se restringir a fazer o aluno passar no vestibular. Antes de mais nada, é preciso prepará-lo para a vida em sociedade, o que vai muito além dos muros da instituição.

Educatrix O projeto da Escola sem Partido vem ao encontro das suas expectativas? 

Cristina Sou a favor do projeto porque vai além da Educação. Tem a ver com democracia e direito à liberdade de expressão e pensamento. Por isso, os professores devem agir com ética e bom senso no exercício da profissão – sem qualquer viés de doutrinação –, de forma que os alunos aprendam a pensar de forma autônoma e crítica.

Educatrix As atividades extracurriculares são imprescindíveis?

Cristina Elas são um diferencial para a formação porque têm o potencial de despertar habilidades, talentos e criatividade, o que tende a melhorar não só desempenho em sala de aula como a socialização da criança. O ideal seria que todas as escolas oferecessem oficinas de artes e informática, curso de língua estrangeira, esportes diversos, culinária e feiras culturais.

Educatrix Como deve ser a infraestrutura da escola?

Cristina Não restam dúvidas de que uma infraestrutura física adequada com biblioteca, laboratório de ciências, auditório e quadras de esportes contribui para a aprendizagem. Do ponto de vista tecnológico, a escola também precisa oferecer dispositivos para leitura de livros digitais e acesso a jogos educativos, simulados e plantão on-line para tirar dúvidas de casa. O objetivo é potencializar a pesquisa e a interação com grupos de estudo que transcendem os limites da escola. 

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5 Indicações de leitura para você inserir tecnologias nas aulas

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Débora Garofalo - Colunista

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Para ter um uso efetivo da tecnologia dentro da sala de aula é preciso compreender que ela sozinha não tem efeito transformador e que ela precisa ser encarada como uma propulsora a aprendizagem, capaz tornar o aprendizado significativo, envolvente e que permeia os interesses dos estudantes.

Para pensar em novas estratégias e no uso eficiente da Tecnologia na Educação selecionamos uma lista de leituras que permitem conhecer, inspirar, aprofundar e refletir sobre esses temas na sala de aula.

A lista contempla robótica, gamificação, inovação, pensamento computacional e a Internet das Coisas (IOT) que são tendências que cada vez mais estão presentes no universo e no contexto escolar. Vamos lá!

 
 

Robótica educacional: experiências inovadoras na educação brasileira

 

A obra é dos autores:  Rodrigo Barbosa e Silva e Paulo Blikstein e aborda o aprendizado da robótica educacional em escolas do meio urbano e rural, universidades e espaços informais brasileiros, contando exemplos de práticas reais para inspirar o leitor a replicar e a inserir o ensino de robótica no contexto escolar.

 

Gamificação na educação

 

Publicado pela editora Pimenta Cultural, aborda conceitos, questionamentos e aplicações da gamificação na educação, e relata dez sessões escritas por diferentes especialistas na área, sob o olhar de motivar e tornar aulas mais interativas e significativas.

 

O dilema da inovação

 

O livro foi produzido por Clayton Christensen e recomendando por Steve Jobs. Discorre sobre uma inovação disruptiva ao abordar dilemas através da inovação para alcançar novos caminhos. O livro é pautado no mundo do mercado, mas reflete o olhar que temos que ter para inovação para a vida.

 

Scratch: um jeito divertido de aprender programação

 

Neste livro, Helton Varela tem como objetivo proporcionar aos estudantes, educadores e aos curiosos por programação o primeiro passo no mundo da programação por meio do Scratch (software livre gratuito interativo).  O livro aborda a criação de um jogo de labirinto do início ao fim, ao longo do qual serão abordados os conceitos básicos em programação, de maneira simples divertida e didática.

O pensamento computacional aprimora o raciocínio lógico, a criatividade e a resolução de problemas, habilidades importantes para os cidadãos do século XXI.

 

Criando projetos com Arduino para a Internet das Coisas: experimentos com aplicações do mundo real – Um guia para o entusiasta de Arduino ávido por aprender

 

A obra aborda sobre como construir dispositivos com Arduino para o uso cotidiano e então conectá-los à internet. Dispositivos conectados permitem construir aplicações aproveitando os benefícios da conectividade, uma tendência comumente conhecida como Internet das Coisas (IoT).

O livro traz experimentos com aplicações do mundo real. Escrito por um desenvolvedor de software e arquiteto de soluções que cansou de procurar e reunir várias lições sobre desenvolvimento com Arduino enquanto aprendia por conta própria tudo sobre o assunto.
Os leitores são apresentados aos elementos essenciais da IoT. Esses princípios são então utilizados para criar uma variedade de projetos úteis.

 

E você querido professor, quais leituras tem realizado para inovar na sala de aula? Conte aqui nos comentários.

Um abraço,

Débora

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil, Vencedora no Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT e considerada uma das dez melhoras professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

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Professor, como otimizar o seu tempo nesta quarentena

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Débora Garofalo - Colunista

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Com as aulas sendo mediada por tecnologia, o professor teve sua rotina de trabalho modificada, e teve que se reinventar para apoiar a aprendizagem dos estudantes. Vale lembrar que a atividade docente sempre foi muito puxada e além da sala de aula.

Uma aula mediada por tecnologia é muito diferente de uma aula presencial e requer muitos pontos de atenção, como o planejamento, produção de atividades, correções destas atividades, conversa com a turma, orientações aos pais, entre outras.

Diante deste cenário é necessário cuidar da saúde mental e otimizar o tempo para possa realizar atividades prazerosas e também dar a atenção aos seus familiares. Estamos vivenciando uma situação desafiadora em que faz necessária rever a rotina para que a mesma não seja prejudicial a saúde.

 
 

Para replicar – como otimizar o tempo

 

Reunimos algumas sugestões para te auxiliar a rever sua rotina de trabalho e otimizar o seu tempo que passa pelo planejamento, produção de atividades, orientações aos pais e familiares, flexibilização da carga horária. Vamos lá?!

 

Planejamento

 

Professor, faça um planejamento semanal de suas atividades. Programe por prioridades e prevendo tempo para a realização das mesmas, estabelecendo metas. Essa é uma ação simples e eficaz para analisar que não esteja produzindo atividades que não seriam necessárias neste momento.

 

Produção de atividades

 

É importante ouvir os estudantes, seus anseios, suas dúvidas e saber se estão conseguindo realizar as atividades propostas e principalmente saber se todos estão conseguindo acessar o conteúdo.

Essa ação contribuirá para nortear o trabalho do educador e auxiliar a equilibrar as atividades, compreendendo as dificuldades dos estudantes, focando em ações/atividades necessárias.

Orientação aos pais

 

A orientação aos pais, é importante neste momento, mas é preciso avaliar sua periodicidade, por exemplo é necessário o envio diário, é possível o seu envio semanal? Posso encontrar outras maneiras de fazê-la, como gravar um vídeo e deixar em algum suporte digital e ou encaminhar um áudio por mensagem instantânea. Planejar essa rotina, é importante para rever e equilibrar a rotina de trabalho.

 

Flexibilize a carga horária

 

É importante tecer o olhar para a flexibilização da carga horária. A aula mediada por tecnologia é muito mais cansativa do que uma aula presencial, requer condições, interatividade, além de questões de ergonomia. É preciso ter equilíbrio entre a carga horária e as atividades realizadas durante o período de aula, levando em consideração que os pais que estão apoiando a aprendizagem, estão se revezando com o teletrabalho.

Esse é um momento que nos coloca muito desafios e também nos trazem muitos aprendizados, mas é sem dúvida um período que precisamos cuidar uns do outro. Em muitos lugares a quarentena deu início na segunda metade de março e se tem se prolongado até os dias atuais, por isso, é essencial otimizar o tempo para que o trabalho não se prolongue mais do que a jornada de trabalho e o professor tenha tempo para estudar, estar com a família, realizar leituras e fazer atividades prazerosas.

Um abraço carinhoso!

Débora

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil, Vencedora no Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT e considerada uma das dez melhoras professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

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Nova diretora do Dante Alighieri aposta no diálogo e na participação para formar equipes autônomas, que se sintam autoras das suas jornadas.

A SALA ocupada por Valdenice Minatel, no centenário Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, dá pistas sobre quem é a profissional que, no curso de uma carreira voltada para a inovação pedagógica, agora está à frente de uma das mais conhecidas instituições de ensino brasileiras. A porta está sempre aberta, desde as 7h da manhã. Na mesa, livros e pilhas de papéis à espera de sua apreciação. Nas paredes, diplomas de instituições renomadas. Valdenice é uma educadora inquieta, que não para de estudar – tanto que recebeu a Educatrix no calor do final do semestre letivo e às vésperas de uma nova imersão, desta vez com o renomado autor Daniel Goleman, na Universidade de Harvard.

“O desenvolvimento profissional mais pleno acontece no ambiente mais democrático, senão só gera rotatividade. Por isso, sempre quero criar equipes que se sintam mais do que partes, que se sintam autoras.”

Valdenice Minatel Diretora do colégio Dante Alighieri

Mestre e doutora em Currículo e Novas Tecnologias pela PUC-SP, Valdenice contribuiu muito para tornar uma escola centenária em um polo de inovação pedagógica. No Dante Alighieri há 25 anos, a gestora passou pelo Colégio Hugo Sarmento e pela Prefeitura de São José dos Campos, antes de chegar à IBM, no projeto Horizonte – uma das primeiras iniciativas em larga escala para difundir computadores pessoais para uso educativo. Mas foi principalmente no Dante que ela iniciou o percurso que marcou toda a sua vida profissional e onde aprendeu a liderar de forma compartilhada, em um diálogo permanente com suas equipes. Conheça sua visão sobre inovação e gestão, na entrevista a seguir.

Mestre e doutora em Currículo e Novas Tecnologias pela PUC-SP, Valdenice contribuiu muito para tornar uma escola centenária em um polo de inovação pedagógica. No Dante Alighieri há 25 anos, a gestora passou pelo Colégio Hugo Sarmento e pela Prefeitura de São José dos Campos, antes de chegar à IBM, no projeto Horizonte – uma das primeiras iniciativas em larga escala para difundir computadores pessoais para uso educativo. Mas foi principalmente no Dante que ela iniciou o percurso que marcou toda a sua vida profissional e onde aprendeu a liderar de forma compartilhada, em um diálogo permanente com suas equipes. Conheça sua visão sobre inovação e gestão, na entrevista a seguir. 

EDUCATRIX Como foram seus primeiros contatos com a tecnologia educacional?

VALDENICE MINATEL Eu fiz Pedagogia na Unicamp, e tinha aulas com a pesquisadora Afira Rippert, que então estava voltando de um doutorado com o Seymour Pappert. Ela teve o privilégio de ser contemporânea da produção dele, e trouxe esse arcabouço para a Unicamp, introduzindo o olhar da tecnologia pelo viés educacional. Recebeu críticas por isso, mas também apoio, e eu fui uma das primeiras turmas que cursou a sua disciplina. Fiquei encantada com a linguagem Logo e me fascinava a ideia de janela da mente, ou seja, de entender como a cabeça funciona enquanto programa, promovendo a aprendizagem com boas perguntas. Fiquei muito impactada.

EDUCATRIX Como foi sua aproximação com a IBM e a chegada no Dante? 

VALDENICE MINATEL Nesse período, saindo da Unicamp, fui trabalhar em São José dos Campos (SP) e continuei a fazer leituras sobre o tema. Em 1992, passei pelo Colégio Hugo Sarmento, e, quando soube de uma vaga na IBM, não tive dúvidas e me candidatei. Já queria algo mais parrudo, algo que possibilitasse uma abordagem da tecnologia a partir da escola. Essa era a grande empresa com capilaridade que trouxe um viés educacional muito forte. Lá, fazíamos formação de professores, no Projeto Horizonte. Foi uma experiência muito importante na qual aprendi, por exemplo, a trabalhar de portas abertas, o que faço até hoje. Fiquei sabendo que o Dante estava montando um Departamento de Tecnologia, preparei meu currículo e me chamaram.

EDUCATRIX Quando você chegou ao Dante, o que lecionava?

VALDENICE MINATEL Cheguei para dar aulas de Informática, ensinando linguagens de programação e noções sobre a operação das máquinas. Esse era o basicão de 30 anos atrás. Mas nessa época escolas e empresas começavam a se movimentar, construindo os protocolos de ação, construindo caminhos. Ainda havia a reserva de mercado dos computadores, que tinham custos abusivos, mas as grandes escolas já olhavam para isso, vendo sentido nesse caminho que se abria. Começavam a se integrar ao mundo digital, cada uma de um jeito. O Dante optou, em um primeiro momento, em dar aulas de Informática, em uma perspectiva mais técnica.

EDUCATRIX Mas desde então você já atua diretamente com a inovação…

VALDENICE MINATEL Sim, desde então minha vida tem sido pensar a inovação. Entrei para trabalhar em um time que estava começando, começamos o departamento juntos. No final de 1999, a antiga coordenadora se desligou e a gestão da época considerou que o coordenador de informática tinha de ser eleito pelos pares, como acontece na universidade, e não mais por indicação da diretoria. Então o grupo se reuniu e me elegeu. Já fui promovida por um ato muito democrático, que me marcou. Em 2000, eu começo a coordenação, com um voto de confiança de cada um deles, que eram 12. Mesmo quem não votou tinha clareza de porque eu estava lá. 

EDUCATRIX Imagino que essa experiência tenha também influenciado sua forma de trabalhar… 

VALDENICE MINATEL A partir daí, não havia outro caminho a não ser construir uma gestão baseada nas competências que cada um poderia entregar naquele momento. Foi um processo de reconstrução do departamento fundamentada em uma visão mais participativa. Eram muitas reuniões, e eu sempre trazia decisões para serem tomadas de forma colegiada. Foi muito bacana. Mesmo as tensões eram resolvidas de forma cocriada. É um termo novo, mas já fazíamos isso que se chama hoje de cocriação. Começamos a trabalhar e era um pessoal muito bom. Foi muito fácil inovar. Era um time que queria isso e tinha portas e janelas abertas para ir em frente. Tinham todas as condições de temperatura e pressão que favoreciam a gestão democrática e a inovação. Fiquei de 2000 a 2012 nesse lugar de coordenadora de informática, mas com uma mudança de organograma, passei a ser coordenadora geral de tecnologia.

EDUCATRIX Até hoje, é um desafio para as escolas integrar equipes de tecnologia e de educação. Como você lidou com isso no Dante? 

VALDENICE MINATEL As questões eram tratadas de forma integrada; por exemplo, o processo de matrícula. Sempre fui pedagógica, mas dava meus pitacos na área administrativa. No final de 2014, eles me dão o presente de assumir a TI também, e passo a ser coordenadora de tecnologia. Desde 2000, quando definimos o escopo de nossa ação, sempre partimos do princípio de que a tecnologia tinha que dialogar com todas as áreas. Era um trabalho de catequização mesmo. Em agosto de 2018, fui promovida a diretora de tecnologia e recebi o convite para ser diretora pedagógica logo em dezembro. A condição era de que a tecnologia não deixasse de trabalhar integrada à área pedagógica.

EDUCATRIX Essa integração muitas vezes depende de mudanças culturais importantes. Como aconteceu no Dante, para que fosse possível tomar um rumo diferente? 

VALDENICE MINATEL Você tem razão. Nas escolas em geral, a tecnologia sempre é uma área que luta para fazer parte. Aqui não, eles são garotos privilegiados. Treinávamos para ir para as reuniões, fazíamos uma projeção de futuro, um storytelling de projeto. Era mais do que resolver problemas técnicos. Nós partíamos do princípio de que era preciso entender a escola. Não se tratava de um banco, mas de uma instituição educativa. Nosso papel era focar no que importava para o Dante, e o coração de tudo o que acontece aqui é o momento em que professores e alunos se reúnem. Esse momento é único. É um momento idílico. Se um aluno fica aqui oito horas de seu dia, esse tempo precisa ser muito bom, tanto para os alunos como para os professores. Medíamos o tempo de atendimento para tentar diminuir. Chegamos a ter três minutos para a escola toda, e ainda assim sabíamos que estávamos fazendo nada menos do que se esperava. Temos que pensar sempre de forma prioritária em sala de aula. Investimos muito em coerência interna.

EDUCATRIX Como a construção dessa cultura aconteceu, na prática? 

VALDENICE MINATEL Quando me tornei coordenadora, os garotos da TI estavam no porão, quase esquecidos. A primeira condição foi colocá-los juntos. Aprendi em minha jornada a trabalhar de portas abertas. Pensei no ambiente de trabalho dessa equipe, o que significa pensar nos móveis, nos aromas, nas cores, para trazer um conforto, uma boa lembrança. É preciso ter um interesse genuíno pelas pessoas. Tem as telas, o mouse ergonômico, pequenos detalhes que mostram como nos importamos com eles. Assim se criou um ambiente muito favorável. Hoje, aqueles garotos já estão aqui há dez anos. Entraram como estagiários, desenvolveram- se e percebem o trabalho e a inovação como se estivessem construindo suas próprias startups. O aluno tem de produzir tecnologia, não é consumidor. Levei essa lógica também para o time. Temos pouquíssimas soluções terceirizadas. Desenvolvemos muito aqui. Sentimos que tudo o que está rodando eles é que criaram. Assim, começam a ser conhecidos por toda a comunidade escolar. 

EDUCATRIX O resultado é uma escola de 108 anos dando um salto à frente no campo da inovação. Mas como isso se traduz na forma de liderar?

VALDENICE MINATEL A escuta foi um treino que fizemos muito. Nunca chegamos falando em uma reunião. Sempre ouvimos, vamos entendendo o que as pessoas querem, conectando com o que já existe. Há uma inter-relação muito grande. Vamos mostrando como é a tecitura, não ditando regras. Podemos ajudar muito, mas a partir do insumo que os professores dão. A escola bancou isso. Hoje temos um time de desenvolvimento com quatro pessoas, tão grande como a de suporte. São 16 profissionais de TI, contando estagiários e trainee, mais 18 da área de tecnologia educacional. Isso é raro em escolas.

EDUCATRIX E na direção geral, é possível reproduzir essa forma de gestão?

VALDENICE MINATEL Sim, exatamente. Escuto muito, faço muitas reuniões, nenhuma decisão sai apenas de minha caneta. Estou revisitando todos os processos, quero ouvir a todos. É um tempo que estou investindo para sentar junto com cada um. Vou fazendo as perguntas e vou aprendendo. Faço isso também para que as pessoas reflitam sobre o que fazem. Sei que ainda existem aqueles que esperam que a decisão venha de mim, isso é cultural em muitos lugares. Mas eu pergunto sempre: o que você acha? Ainda tenho imagem de brava, mas, nas reuniões, quem trabalha comigo vê que eu dialogo. Estimulo ainda que as equipes se sentem e discutam sem que eu necessariamente esteja presente. Estou tentando dar essa autonomia.

EDUCATRIX Como se equilibra autoridade e autonomia em uma escola?

VALDENICE MINATEL Autoridade o organograma decide, mas autonomia se pode desenvolver. Jogo sempre com a ideia de que todos precisam pensar juntos. A descentralização não se dá da noite para o dia. A cultura organizacional tem poder grande. Temos de respeitar, e ir vendo para onde ela está se movendo e ver como se pode melhorar. O Dante Alighieri tem uma equipe muito boa, e isso ajuda. É uma equipe que gosta da escola, com ex-alunos trabalhando; assim, tudo fica mais fácil. Em todas as mudanças, sempre mantive esse modelo de decisão mais formativa: fazer parte dos meus valores pessoais. Isso é muito mais difícil quando não é mais uma maquiagem democrática. É mais fácil ser autoritário. O desenvolvimento profissional mais pleno acontece no ambiente mais democrático, senão só gera rotatividade, especialmente na área da tecnologia. Por isso, sempre quero criar equipes que se sintam mais do que partes, sintam-se autoras.

EDUCATRIX Nos dias de hoje, ter à frente da gestão profissionais de inovação é um privilégio raro, não é? Afinal, um dos maiores desafios colocados para as instituições é saber mudar…

VALDENICE MINATEL Sem dúvida, trazer alguém de tecnologia para gerir uma instituição centenária é arrojado. O desenho da gestão executiva no Dante é muito bom e trabalhar em uma instituição sem fins de lucrativos é o melhor dos mundos. Sinto- me em um lugar realmente privilegiado. É o propósito no seu estado mais bruto. Arranjei um propósito e de quebra tenho um trabalho. 

EDUCATRIX Há também o aspecto da preparação contínua. Um líder não pode parar de aprender, em um mundo que muda continuamente. 

VALDENICE MINATEL Eu acredito em liderança que estuda. Simplesmente adoro aprender. Vim de família muito simples, que via na educação a forma de fazer a virada. A escola me resgatou de um lugar que nem posso descrever. Vim de um mundo em que a educação era a única forma de ter acesso à informação. O estudo não é importante só porque prepara para a vida exterior. Ele permite que nós sigamos conquistando mundos internos cada vez mais interessantes. A jornada de conhecimento que transforma o mundo e as pessoas é sensacional.

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Competências socioemocionais: Quais as ações dos educadores?

Competências socioemocionais: Quais as ações dos educadores?

Propostas que consideram a BNCC trazem a reflexão sobre os papéis e as práticas dos educadores para o desenvolvimento das competências e habilidades do século 21.

Texto: Solange Giardino

Estamos vivendo pela primeira vez na história da educação a incerteza sobre quais serão as competências necessárias para que os nossos estudantes da educação básica sejam relevantes no mercado de trabalho. A cada segundo temos a produção de novos conhecimentos, o surgimento de novas funções e a transformação de tradicionais carreiras, assim como das habilidades necessárias para desempenhá-las.

As tarefas laborais dependem de dois tipos de competências básicas: a física e a cognitiva. No passado, competimos com as máquinas nas habilidades físicas, o que nos trouxe um maior desenvolvimento das habilidades cognitivas, que só nós, humanos, possuímos; agora, estamos sendo desafiados pela inteligência artificial, pela aprendizagem de máquinas e pela robótica.

Sabemos que será mais difícil substituir um trabalhador em atividades que exijam o uso simultâneo de várias habilidades, principalmente as que envolvam lidar com cenários imprevisíveis. Dessa forma, flexibilidade, criatividade e as competências socioemocionais serão determinantes para o desempenho do profissional do futuro.

Entre a razão e a emoção: o papel da escola

Conhecer as próprias emoções e saber lidar com elas é o que chamamos de inteligência emocional. A escola, por ser um ambiente de relacionamento social, oferece uma ótima oportunidade para lidar com as próprias emoções, entender como funcionam e como podem ser modificadas. Os professores precisam ser orientados a mediar tais situações, com o intuito de conscientizar as crianças para reduzir conflitos tanto em sua vida pessoal, como no ambiente escolar.

Já é sabido que as habilidades socioemocionais aumentam a capacidade dos alunos de aprender e melhoram consideravelmente atitudes e comportamentos para lidar de maneira eficaz e ética com os desafios diários. 

Partindo do pressuposto de que o ser humano é um ser relacional e de que precisa estar em contato com outras pessoas, criar vínculos e gerar conexões — quanto mais positivas e construtivas, mais positivas serão as emoções, ideias e atitudes —, a  escola precisa ser um espaço que transmita confiança, comprometimento, respeito e colaboração de todas as partes. Construir boas relações exige tempo e não adianta apenas o professor se esforçar para fazer dar certo. Toda a comunidade envolvida precisa contribuir e fazer a sua parte para que as relações tragam frutos positivos a todos.

Outro ponto importante das relações interpessoais é que, ao estar em contato com pessoas diferentes de nós, conseguimos ampliar nossas perspectivas de mundo e expandir nossa visão em muitos aspectos. O mesmo acontece quando estamos dispostos a compartilhar o nosso melhor e ajudar os indivíduos ao nosso redor a crescerem e se tornarem cada vez melhores.

A escola deve promover uma formação integral, desenvolvendo, além das competências cognitivas e acadêmicas, as competências socioemocionais, oferecendo um ambiente humanizado e adequado para o estabelecimento de boas relações, uma vez que o aluno educado emocionalmente possui maior motivação para aprender.

As habilidades socioemocionais devem fazer parte do planejamento de todos os componentes curriculares, e não como uma disciplina isolada, pois precisam de contexto para serem desenvolvidas. Dessa forma, é necessário considerar o envolvimento da comunidade escolar, da família e de todos os professores, que precisam inserir o desenvolvimento dessas habilidades em suas aulas e atividades.

Além do planejamento letivo, estratégias adicionais devem ser realizadas em toda a escola, incluindo proporcionar aos alunos oportunidades de participar de comitês escolares e de atuarem em papéis de liderança como modelos de pares, mentores e consultores para colegas de classe. Um comitê de alunos pode ser de grande auxílio nessa condução, desde que seja uma ação coordenada com os professores e orientadores educacionais. Esses alunos precisam ser identificados por meio de instrumentos e posteriormente formados, para que tenham uma ação efetiva.  Os jovens costumam procurar os seus pares e não um adulto para compartilhar suas dificuldades e anseios, então proporcionar rodas de diálogo e assembleias para que eles possam refletir e resolver entre si os conflitos é uma boa oportunidade de intervenção. 

Como selecionar as habilidades socioemocionais mais importantes? 

No Brasil, temos duas linhas teóricas sobre o tema que são muito difundidas: 1 a CASEL (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), desenvolvida por uma organização americana de Chicago, que se baseia em cinco aspectos: autoconhecimento, autorregulação, sociabilidade, competências de relacionamento e tomada de decisão responsável; e 2 a do Big Five Factors (Cinco Grandes Fatores de Personalidade), que explora outros cinco domínios: experiência, consciência, amabilidade, extroversão e estabilidade emocional.

Para definir quais habilidades socioemocionais serão trabalhadas, é preciso ter clareza sobre que aluno se quer formar. O ideal é trabalhar com poucas habilidades, priorizando as mais significativas a partir da identificação dos pontos fortes, pontos fracos e áreas de crescimento ou melhoria do público de alunos. As escolas devem escolher de comum acordo com a comunidade e com os alunos, se não possível com todos, mas com o grupo de representantes (comitê de alunos e pais). 

Ao estar em contato com pessoas diferentes de nós, ampliamos nossas perspectivas de mundo e expandimos nossa visão em muitos aspectos.

Qual é o papel do professor?

É necessário que os professores tenham formação e orientação para conseguir transformar a sala de aula, assumindo um novo papel, para que controlem seu próprio comportamento, tornando-se modelos para os alunos. Para desempenhar bem a sua função, portanto, o professor precisa começar por uma autorreflexão: quais são os seus próprios valores? Como mobilizar suas habilidades e competências socioemocionais? Aprender a lidar com as próprias emoções e refletir sobre elas é um passo fundamental.

Criar ambientes seguros e saudáveis para que os jovens possam desenvolver habilidades sociais necessárias para prosperar no seu projeto de vida não depende apenas dos professores, mas de toda a comunidade escolar, que precisa envolver todos os atores. 

Para proporcionar um ambiente no qual os alunos se sintam seguros e onde suas opiniões e preocupações sejam consideradas e levadas a sério, o professor e a escola devem focar em soluções para os conflitos, e não em punições e recompensas.

A escola dos alunos enfileirados, com foco na “pedagogia da nuca”, não permite a expressão afetiva e emocional e também não promove o desenvolvimento socioemocional. As propostas pedagógicas devem priorizar atividades altamente interativas para dar ênfase às estratégias de aprendizado cooperativo. O aluno precisa participar de conversas significativas, se envolver em problemas relevantes, trabalhar cooperativamente com os colegas, professores e comunidade e se sentir desafiado.

Em todo esse percurso, o professor tem o papel de mediar o processo. É a condução dele, com perguntas bem planejadas e intervenções previamente elaboradas, que trará o clima de apoio, cooperação e segurança de que os alunos precisam.

O professor deve conduzir a gestão da sala de aula de forma que se coloque a serviço do coletivo e que chame os alunos para uma participação ativa, compartilhada, comprometendo-os a dividir as responsabilidades em um processo orientado, em que o protagonismo e a participação pautem o diálogo.

Como avaliar as habilidades socioemocionais?

Ao incluir as competências socioemocionais no currículo escolar de forma transversal, é essencial pensar em como mensurá-las para apoiar as atitudes dos estudantes e orientar os professores sobre como agir e o que esperar das diversas situações. 

A avaliação das habilidades socioemocionais, assim como a dos trabalhos desenvolvidos por meio de abordagens de metodologias ativas e de aprendizagem por projetos, deve incluir diversas formas de avaliação, tais como autoavaliação, avaliação por pares (entre os colegas) e reflexões pessoais, mesclando as avaliações individuais com as coletivas.

As rubricas de avaliação são uma possibilidade, pois oferecem um sistema de pontuação que lista critérios específicos para o desempenho e as atitudes dos alunos, descrevendo diferentes desempenhos para cada um dos critérios e deixando claro o que se espera dos alunos no decorrer das atividades escolares. Para a elaboração das rubricas, sugerimos elencar quais habilidades serão observadas, listar seus descritores e, por fim, criar a tabela.

Trabalhar com as competências socioemocionais significa focar no desenvolvimento pleno e integral de toda a comunidade escolar, tendo a consciência de que são desenvolvidas pouco a pouco, pela vivência constante. O professor precisa considerar em seu planejamento ter a intencionalidade pedagógica de promover a expressão dos sentimentos e a reflexão sobre as ações, com o intuito de aprimorar a qualidade das relações interpessoais. À liderança escolar, cabe o papel de estabelecer indicadores para que fique claro a todos os integrantes da comunidade escolar o que é esperado e trabalhar com os professores e equipe para mediar conflitos de forma positiva. 

Solange Giardino

é consultora de tecnologia educacional com foco em metodologias ativas, cultura maker, STEAM e aprendizagem criativa. Tem experiência consolidada no desenvolvimento e na gestão de projetos por meio da implementação de recursos digitais à prática docente e desenvolvimento de projetos nas áreas de formação continuada de professores. Apple Distinguished Educator, graduada em Psicologia e especialista em Informática Aplicada à Educação pela PUC-SP e em Gestão de EAD pela FGV. Mestra em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Para saber mais 

  • Movimento Pela Base Comum – Dimensões e Desenvolvimento das Competências Gerais da BNCC. Disponível em:mod.lk/edu18mpb. Acesso em: 2 mar. 2020. 
  •  
  • BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014.
  •  
  • CASEL. Educating hearts: inspiring minds. Disponível em:https://casel.org. Acesso em: 9 fev. 2020.
  •  
  • The Big Five Personality Traits. Disponível em:mod.lk/ed18foco. Acesso em: 9 fev. 2020. 
  •  
  • NELSEN, J.; LOTT, L.; GLENN, H. S. Disciplina positiva em sala de aula. São Paulo: Manole, 2017.

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Gestão escolar na era da BNCC

Gestão escolar na era da BNCC

Da teoria à prática: como a proposta de currículo nacional está transformando a gestão das escolas

Texto Ricardo Prado Ilustração Ricardo Davino

“A BNCC não sai mais das nossas mãos. A cada 15 dias, a equipe gestora senta junto para estudar um pouco”. É dessa forma que Virene Alves de Souza, diretora há sete anos do Núcleo de Educação Infantil Benedito Faustino Malachias, escola municipal de Canaã dos Carajás, no Pará, refere-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento homologado no final de 2017 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), concretizou, apesar das críticas ao longo do conturbado processo de discussão coletiva e aprovação do texto final, uma antiga reivindicação de educadores brasileiros: a proposta de um currículo mínimo, válido para todo o país, com expectativas de aprendizagem divididas por séries, capaz de nortear o trabalho pedagógico nas diferentes redes de maneira mais uniforme, sem perder de vista as especificidades regionais, como prevê a LDB (Lei de Diretrizes e Bases).

A BNCC não é um documento simples, por isso, faz sentido que a aguerrida equipe dirigida por Virene se debruce a cada quinzena sobre ela e discuta ideias e estratégias que colaborem com a formação dos cerca de 700 alunos que a escola atende. A BNCC estabelece dez competências gerais, que vão da aquisição de conhecimentos à participação cidadã na sociedade, do uso ético e responsável das tecnologias de informação e comunicação aos cuidados com o corpo e o meio ambiente, sob as quais se desdobram 117 objetivos de aprendizagem, distribuídos em 35 competências e habilidades específicas de áreas e 49 competências relativas aos componentes curriculares. Para deixar tudo ainda mais complexo, muitas vezes as competências se interpenetram entre as disciplinas. No total, a BNCC traz 1.514 enunciados sobre aprendizagem e desenvolvimento da criança e do jovem. Ou seja, muito trabalho para as escolas se prepararem e colocarem todas essas competências e habilidades em prática até 2020. 

Um documento dessa dimensão, e com pretensões igualmente grandes de influir diretamente no cotidiano escolar, bem poderia se tornar um desses calhamaços produzidos em Brasília que terminam seus dias esquecidos nas prateleiras, com pouca ou nenhuma aderência nas redes, sempre às voltas com problemas urgentes de infraestrutura e condições de trabalho. Mas o caminho da BNCC não parece ser esse. Há muita gente disposta a implementar o que está ali, que, no fim das contas, resultou no consenso possível em termos de expectativas de aprendizagem. Houve uma grande mobilização no mercado editorial, com interpretações e guias de orientação que buscam oferecer chaves de interpretação para as dez competências a serem desenvolvidas ao longo da educação básica, e possíveis caminhos didáticos para implementá-las.

A educadora Tereza Perez, da Comunidade Educativa CEDAC, organização não governamental de São Paulo que há 22 anos se dedica à formação de professores e divulgação de práticas educacionais inovadoras, é organizadora de um livro que surgiu dessa necessidade de auxílio para a reconstrução dos currículos de cada escola com base no currículo nacional. A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica (Cedac/Moderna/Fundação Santillana), sugere, em cada uma das competências, diversas possibilidades de ação no âmbito da gestão escolar, no sentido de tornar mais efetivas as propostas de educação integral contidas no documento oficial.

 

Contexto Sociocultural 

Dentre as ações que uma boa gestão escolar precisa realizar, a pesquisadora enfatiza a necessidade de se observar atentamente o histórico da comunidade na qual a escola está inserida. “Incluir o histórico da comunidade no planejamento escolar não é só dizer: ‘essa comunidade era assim, passou por isso e aquilo, agora ela é dessa forma’. Esse histórico envolve a caracterização cultural, social e étnica dessa comunidade. ‘Qual é a condição de vida que essas crianças têm?’; ‘Qual é a qualidade de vida que elas têm?’; ‘Costumam ter acesso a que tipo de equipamento cultural?’. Se esse contexto sociocultural e econômico é essencial, não basta ter esse conhecimento, é preciso engajar o projeto pedagógico da escola a partir dele”, explica Tereza. “Se na escola metade dos pais e mães são analfabetos, é preciso trabalhar de uma determinada maneira, pois será preciso ter menos expectativas em relação ao acompanhamento que essas famílias possam fazer da aprendizagem de seus filhos, se não sabem ler ou não têm acesso à internet. Por outro lado, pais menos alfabetizados podem se sentir encorajados a se envolver no que os seus filhos estão aprendendo na escola. Em todos os lugares, encontramos potenciais: de pessoas, de histórias de vida, de competências diversas, que podem ser desenvolvidas dentro das ações da escola”, avalia a educadora. 

As famílias hoje se encontram muito solitárias no processo de educação de seus filhos. “A escola pode ter com esses pais um convívio tal que possa provê-los de posturas, de conhecimentos, de formas de relacionamento etc. Se eu tenho na escola não só o propósito de ensinar crianças e jovens, mas também de acolher essas famílias – e por acolhimento eu digo aceitação, conhecimento, compreensão do que vivem essas famílias – só há ganhos nesse sentido, como gestor”, analisa Tereza Perez. 

 

Pai e escola: uma relação baseada em confiança

“Sem os pais, eu não consigo fazer nada”, resume a diretora Sonia de Abreu Barga, gestora da EMEF Professora Hilda Weiss Drenche, de Itapetininga, no interior de São Paulo. Há 15 anos na direção da escola, e há 35 anos na rede municipal, ela atende 497 alunos no estabelecimento, localizado na periferia da cidade, quase na zona rural. Sem contar com vice-diretor nem com coordenador pedagógico, os dois cargos que compõem com a direção o núcleo-duro da gestão escolar, Sonia comanda uma equipe de 21 professores, cinco auxiliares de educação, quatro serventes, quatro merendeiras e uma secretária, atendendo a um público carente, em termos socioeconômicos.

Caso bastante raro na rede, Sonia está na direção da mesma escola há 15 anos, e viu muitas professoras se aposentarem, mantendo assim uma equipe estável. “Já temos clareza, e as análises indicam isso, que um diretor com mais estabilidade na escola, com mais de seis anos na instituição, com uma equipe também mais estável, funciona muito melhor, porque as relações e vínculos vão sendo criados”, observa Tereza Perez. 

Sobre a questão da instabilidade na rede pública, é “extremamente prejudicial à aprendizagem dos alunos. Há impactos na gestão escolar porque, por exemplo, se tenho um professor que tem maior competência na alfabetização, ele deve ficar nas séries iniciais, e quando há instabilidade não se consegue formar uma equipe de acordo com as competências individuais”, exemplifica a pesquisadora da CEDAC. — De acordo com a Lei 9.610/98 é proibida a reprodução total ou parcial desta website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

Beneficiada pela longa gestão de uma única gestora à frente da escola, a unidade que Sonia dirige se tornou um polo de ações culturais e artísticas na Vila Belo Horizonte, com reflexos na cidade de Itapetininga. A fanfarra escolar, que existe há 11 anos, já formou mais de 300 instrumentistas de percussão, e as classes de flauta contam atualmente com cerca de 100 alunos matriculados. A diretora se orgulha e conta que se esmera desde o primeiro dia de aula em conquistar a parceria das famílias. “Preciso vender o peixe da escola para as cerca de 100 famílias que chegam a cada ano. É preciso saber seduzir esses pais, porque estou à mercê da comunidade, atendo a ela. Se os pais sentem confiança na equipe da escola, então se forma uma parceria muito produtiva”, frisa. Sonia explica como funciona esse encantamento. “Chamo todos os pais à escola, dou as boas-vindas e agradeço a confiança deles em colocarem os filhos conosco. Depois, apresento quem são os funcionários, as merendeiras, as serventes, todo mundo… fazemos questão que todos sejam tratados aqui pelos seus nomes. Nesse dia, também acertamos com os pais os combinados de entrada e saída das crianças, e depois os pais entram nas salas de aula com seus filhos para uma apresentação do professor da turma. A escola enche de gente nesse dia, é muito legal”.

O dia da Feira de Ciências é outro momento em que a escola se torna o lugar mais agitado do bairro, e talvez da cidade. Trata-se de um projeto didático desenvolvido pela escola há dez anos, e que tem sua culminância no fim do ano, quando as famílias descobrem, espantadas e incrédulas, o que seus filhos aprenderam/inventaram: são experiências de física e robótica, ou representações de questões ambientais, expostas pelos próprios alunos, que se postam diante de seus estantes e apresentam seus experimentos. Tornou-se um evento aguardado o ano inteiro e que, atualmente, conta com apoio científico do Instituto Federal de São Paulo, instituição de ensino superior que direciona alguns alunos para orientar os trabalhos e pesquisas dos estudantes da escola. Para gerir o projeto didático, Sonia escolhe anualmente um professor que assume a coordenação da feira, e um professor-gerente para cada série. Essa equipe faz reuniões periódicas para conferir se o que foi planejado está sendo cumprido.

 

O círculo virtuoso do planejamento

A atenção ao planejamento faz parte do cotidiano da gestora Virene em sua escola em Canaã dos Carajás. Tudo começa com uma avaliação diagnóstica das turmas no início do ano, tabulada sala por sala, período por período, até se chegar ao diagnóstico geral. “O quadro geral nos permite ver como as crianças da escola estão em termos de aprendizagem; o recorte por turnos permite um olhar mais minucioso; quando se chega à sala, aí se individualiza. Nosso planejamento anual sempre é feito a partir do diagnóstico inicial”.

O passo seguinte é montar um Plano de Metas e Ações, contemplando os campos de experiências nas quais se inserem as aprendizagens da Educação Infantil. “Ao longo de todo ano estamos indo e vindo do planejamento ao plano de ação; depois do plano de ação para o planejamento, sucessivamente. Ao fim de cada bimestre, avaliamos o que deu certo e o que precisa melhorar”, explica Virene sobre esse movimento circular que qualifica constantemente o que foi planejado, acrescentando que a cada quinzena há um tempo de formação com os professores.

 

“Óculos humanizadores” 

“Estamos vivendo um momento em que se torna especialmente necessário usarmos ‘óculos humanizadores’, com uma lente mais humana para olharmos a pessoa ao lado”.

Delegar funções, como o caso de definir as responsabilidades de cada um no andamento de um projeto didático, propiciar um ambiente de trocas e aprendizagens entre o corpo docente e articular parcerias produtivas com diversos atores sociais ao alcance da escola estão entre as funções mais importantes de um gestor escolar. No caso da escola de Itapetininga, além do apoio dos universitários, Sonia usa e abusa dos psicólogos e assistentes sociais que a Prefeitura disponibiliza. Isso porque sua escola tornou-se uma das mais acolhedoras da cidade, e é para lá que o Conselho Tutelar gosta de mandar crianças que necessitam de alguma atenção especial. É para lá que são encaminhados alguns casos de crianças que sofreram abusos, que não se adaptaram em outras escolas da rede ou que saíram por conta de bullying. Em relação a esse problema, os alunos chegam ao lugar certo. “O bullying é uma brincadeira que machuca, esse é o nosso slogan aqui. Fazemos campanhas, de janeiro a janeiro, com a participação dos alunos do 5º ano, que criam cartazes para se comunicar com os menores. Quando há uma situação concreta, nós chamamos as crianças para conversar, em alguns casos a família também. Se um pai vem reclamar comigo, procuro resolver de imediato”, assegura a diretora.

Para Tereza Perez, se a escola estiver bem atenta ao que está acontecendo com suas crianças, em termos de relacionamentos, a tendência do bullying é diminuir muito. “O maior problema é a idealização do aluno: deseja-se um aluno que seja atento, que faça tudo o que se pede, que seja crítico, colaborativo, todos os lindos adjetivos que temos para uma pessoa ideal. Mas só dois ou três na classe se encaixarão nesse modelo. O restante passa, então, a ser criticado, e culpabilizado, junto com suas famílias, por não ser daquele jeito idealizado. E, normalmente, os mais bagunceiros, que são os líderes da classe, costumam ser brilhantes. Eles têm inovações, conseguem conduzir um grupo, e têm competências de liderança que não estão sendo valorizadas. É preciso sempre olhar para o potencial mais positivo de cada aluno. A padronização e a expectativa única nos desqualificam enquanto educadores”, observa Tereza Perez.

No caso do gestor escolar, não é diferente. Existe uma projeção, uma espécie de espelho para os próprios educadores. “Nós também idealizamos o professor ideal, o gestor ideal. É preciso lidar com as pessoas reais, com aquele diretor que pode ter várias falhas, mas que tem aspectos legais, com um coordenador que tem suas falhas, mas também tem competências. Nós estamos vivendo um momento em que se torna especialmente necessário usarmos ‘óculos humanizadores’, com uma lente mais humana para olharmos a pessoa que está ao lado. Como diz um amigo, ‘errar é humano, e pôr a culpa nos outros nem se fala!’”, finaliza a educadora.

 

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Especial Trilhas da BNCC |Deixa que digam, que pensem, que falem

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Estudar História para combater intolerância contra os povos nativos do Brasil.

Texto: Anna Rita Barreto

A aventura humana na Terra originou uma incrível diversidade de formas de ser e de se estar no mundo. Essas diferentes experiências foram expressas em sons e palavras, cujos significados traduzem saberes ancestrais. Justamente reconhecendo a riqueza da história da humanidade, a Unesco declarou 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas, tendo como intenção a preservação, a revitalização e a promoção das mais de 6 mil línguas indígenas espalhadas pelo globo.  

No Brasil, o Censo do ibge de 2010 identificou 274 línguas nativas, cada uma carregando consigo memórias, histórias e tradições específicas das mais de 300 etnias espalhadas pelo país. No entanto, os demais brasileiros pouco conhecem esse nosso poderoso patrimônio linguístico e cultural. Para muitos, todo ele se resume à figura folclórica e caricata do “índio”, construída ao longo dos séculos, inclusive com a colaboração dos livros escolares do passado. Para corrigir essa lacuna, o governo promulgou, em 2008, a lei 11.646, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura indígena nas escolas. Desde então, as coleções didáticas passaram reservar mais espaço aos povos originários e reconhecer o protagonismo indígena na formação do Brasil. 

A exigência de dedicar mais atenção ao entendimento dos povos nativos foi recentemente reforçada pela bncc (Base Nacional Comum Curricular), na qual as habilidades e conteúdos informativos buscam, entre outros objetivos, educar os jovens para as relações étnico-raciais, promovendo uma cultura de convivência respeitosa, solidária e humana entre públicos de diferentes identidades. Essa política está em consonância com demandas nacionais e compromissos internacionais de combate a toda forma de intolerância, pois, apesar da ampla difusão do mito da democracia racial no Brasil, nossos índices de violência contra minorias são alarmantes. Segundo o último Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, produzido pelo cimi (Conselho Indigenista Missionário), em 2017 foram registrados 128 suicídios, 110 homicídios e a morte de 702 crianças de até 5 anos de idade. O relatório aponta também para a persistência dos problemas relativos à demarcação e à proteção das terras indígenas, continuamente ameaçadas pela expansão das áreas de pasto e cultivo, e pela exploração de recursos naturais como minério, madeira e água.  

A proteção dos povos nativos brasileiros, de sua língua e cultura, depende do entendimento de seu modo de vida tradicional, ao qual está atrelada sua sobrevivência coletiva. Esse entendimento só será alcançado se as novas gerações se libertarem dos estereótipos cristalizados, sobre os quais se assentam os preconceitos que justificam e legitimam o ataque aos direitos constitucionais dos povos originários. Por essa razão, é de fundamental importância que os professores e professoras reestruturem seus cursos para ampliarem o tempo dedicado à história e cultura indígenas. Caso contrário, em breve, o Brasil vai ter-se apequenado e perdido parte importante se sua identidade e de sua inestimável riqueza linguística e cultural.

Anna Rita Barreto

é historiadora e mestre em História Social pela USP. Atua como professora de História e Atualidades na rede privada de ensino há 32 anos, e desde 2007 trabalha na elaboração de materiais didáticos para Ensino Fundamental 2 e Médio.

Elos entre línguas indígenas e territorialidades

Uma expedição pela questão da identidade dos povos em sala de aula.

Texto: Sergio Adas e Melhem Adas

Reconhecendo a função essencial das territorialidades para povos indígenas originários e comunidades tradicionais do Brasil, no que tange ao componente curricular Geografia, a Base Nacional Comum Curricular (bncc) dispõe sobre a temática, por meio da habilidade ef07ge03 do 7o ano do Ensino Fundamental. 

Abre-se, aqui, um amplo leque de possibilidades de reflexão, de trabalho e de aprendizagens em sala de aula relacionadas à temática. Uma delas, em sintonia com atualidades, permite-nos enquanto professores considerar com os alunos o fato de que, em 2019, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) comemora o Ano Internacional das Línguas Indígenas. De acordo com a instituição, há mais de 6 mil línguas indígenas ao redor do globo, sendo que somente cerca de 3% da população mundial fala 96% delas; ainda, estima-se que a ameaça a este elemento identitário seja tão grave que uma língua indígena desaparece, em média, a cada duas semanas. 

No Brasil, país com cerca de 300 povos indígenas originários, o Censo do ibge de 2010 registrou 274 línguas entre eles, divididas em dois grandes troncos linguísticos: Tupi e Macro-Jê. Segundo o Instituto Socioambiental (isa), existem, ainda, 19 famílias linguísticas que não se encontram agrupadas, uma vez que despidas de semelhanças para tanto.   

Mas, afinal, qual a relação entre línguas indígenas e territorialidades, e como este tema poderia nos ajudar a trabalhar o foco da habilidade supracitada da bncc? De fato, as línguas indígenas, cada qual com suas características e especificidades, constituem elemento fundamental da identidade dos povos originários tanto do Brasil como de outros países. Trata-se de aspecto da cultura estreitamente relacionado à forma como tais povos compreendem o mundo. Em outras palavras, são sistemas que abarcam saberes e conhecimentos tradicionais que vão muito além da comunicação entre indivíduos, envolvendo, por exemplo, a integração entre os membros das comunidades, a educação de crianças e jovens e a preservação da memória e da história destes povos, especialmente pelo fato de serem culturas pautadas pela tradição oral.

A tudo isso, encontra-se relacionada a noção de territorialidade. De modo geral, a cultura dos povos originários abarca forte relação com o lugar onde suas comunidades se localizam e as relações que o envolvem, inclusive, em relação à forma como dele se apropriam. Aspectos como o cultivo de vegetais e rituais que englobam o uso de elementos do meio físico natural do território que ocupam — por exemplo, um rio ou uma serra —, evidenciam a força da territorialidade para tais povos. A “terra”, como muitos deles se referem ao espaço que ocupam, é parte de seu cotidiano e os representa no que tange à coletividade e à formação de sua identidade como povo; e, portanto, também como indivíduos. As línguas indígenas, neste contexto, expressam essas características culturais identitárias.

Nessa perspectiva, podemos considerar que a onu, por meio de um de seus principais órgãos, ao ter evidenciado a importância das línguas indígenas com o objetivo de sensibilizar a população mundial para o tema, permite-nos, em sala de aula, trabalhá-lo como apoio ao desenvolvimento de uma das habilidades da bncc, promovendo ao mesmo tempo junto aos educandos a valorização e a conscientização sobre a importância de preservação da identidade linguística dos povos indígenas e de suas territorialidades, elos inseparáveis em sua luta por direitos. 

Melhem Adas 

é bacharel e licenciado em Geografia pela PUC-SP. Professor da rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo. Autor de obras didáticas e paradidáticas de Geografia.

Sergio Adas 

é professor e pesquisador da FFCLRP-USP. É bacharel e licenciado em Filosofia, doutor em Geografia Humana e Pós-doutorado em Educação. Desenvolve pesquisas em Ciências Humanas. É autor de obras didáticas de Geografia. 

Texto: Anna Rita Barreto

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Especial Trilhas da BNCC | Pensamento investigativo em todas as áreas do conhecimento

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Despertar a curiosidade e desenvolver o olhar crítico e questionador sobre os diversos fenômenos da vida.

“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!”

Eduardo Galeano,

O livro dos abraços, 1989. 

Em uma época de muitas mudanças e incertezas, em que temos de lidar com os resultados e os produtos da evolução tecnológica, torna-se essencial a educação para aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser, como propõe o relatório Quatro pilares da educação para o século XXI da Unesco, de 1999 (Delors, 2000). Com base nesses quatros pilares, acredito ser possível “ajudar a olhar”. 

Nossos alunos têm acesso a uma quantidade enorme de informações, mas nem sempre sabem o que fazer com elas, pois não aprenderam a “olhar”! Essas informações precisam ser dotadas de significados, de modo que os alunos possam associá-las e gerar o conhecimento a ser utilizado no cotidiano e na compreensão do mundo. Mas o que é pensamento investigativo? Como é possível ensinar a pensar?

Por muitos anos, o ensino de Ciências trabalhou mais com a transmissão do que com a produção do conhecimento, e em muitas escolas essa prática ainda persiste. Pesquisas em diversas áreas da educação e da neurociência, contudo, têm demonstrado que o estudante aprende mais ao se envolver com uma situação-problema e buscar soluções e significados para ela. 

Para tanto, o aluno precisa pensar investigativamente, desenvolvendo competências e habilidades como observar, problematizar, formular questões e hipóteses, verificar, mensurar, constatar, concluir, errar e tentar novamente. 

A prática do pensamento investigativo pode e deve ser utilizada em todas as áreas do conhecimento, não apenas nas ciências da natureza. 

Segundo o filósofo norte-americano Matthew Lipman, na obra A Filosofia vai à escola, o ensino tradicional, em que os conhecimentos são transmitidos do professor para o estudante, constitui o “paradigma-padrão”, ao passo que o ensino que trabalha com o pensamento investigativo configura o “paradigma reflexivo”. Lipman propõe que as disciplinas sejam organizadas de maneira que se complementem, fazendo com que a educação não se limite a promover a memorização das informações transmitidas e objetive “a percepção das relações contidas nos temas investigados”. A adoção do paradigma reflexivo permite investigar e problematizar os conteúdos de cada disciplina, construindo uma reflexão conjunta.  

Ao trabalhar com a proposição da solução de um problema, promove-se um enfrentamento entre os estudantes por meio do diálogo. Nesse paradigma, o importante não é o resultado final, a conclusão, e sim as descobertas feitas ao longo do processo de investigação.  O diálogo promove a reflexão e o pensamento criativo.  

Embora apresente muitas variantes, na técnica mais usual, o professor propõe um problema, que os alunos identificam e trabalham em grupos, sempre partindo de seus conhecimentos prévios. Os itens do problema são levantados, debatidos e registrados. Com base nesse registro, os alunos se organizam para investigar os itens principais em grupo ou individualmente. Em todas as etapas, o professor orienta, ajuda a organizar, faz a intermediação das discussões e propõe fontes de consulta. Todo o resultado das investigações é debatido pelos integrantes do grupo, que, juntos, aprendem a relacionar fatos e informações. 

Nesse processo, o estudante deixa de memorizar e passa a pensar, a questionar, a testar. Com o trabalho em grupo, ele aprende a respeitar as diferenças de opinião, o ritmo de trabalho e as descobertas de cada um, aprende a conviver, a colaborar com o outro. Aprende onde procurar informações e como conectá-las para encontrar respostas. A autonomia intelectual dos estudantes é valorizada.  

O professor deixa o papel de mero transmissor de informações para exercer o papel de organizador, de mediador e sistematizador dos dados que os estudantes encontraram. Com a metodologia de resolução de problemas, o professor trabalha os “quatro pilares da educação para o século XXI”, em vários momentos e de formas variadas. 

Pautada nesses pilares, a educação passa a constituir o principal instrumento para “olhar” o mundo! 

Rita Helena Bröckelmann

é bióloga e editora executiva do Editorial de Biologia e Química da Editora Moderna. 

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Observatório do Professor reúne mais de 3 mil horas de entrevistas para retratar as alegrias e dores de educadores dentro e fora das salas de aula. 

Imagem ilustrativa

Quais fatores podem ser decisivos para transformar a prática docente? A partir de mais de três mil horas de entrevistas, a pesquisa Observatório do Professor, feita pelo Instituto Península em parceria com a PS2P – Observatório de comportamento e cultura, identificou os elementos que interferem na prática do professor que vão além da didática e do domínio do conteúdo.

De acordo com o levantamento, que buscou identificar quem é o professor fora dos muros da escola e quais são as suas angústias e paixões, os professores que conseguiram criar uma ponte de relacionamento com os seus alunos geralmente levam elementos da sua história de vida para as práticas pedagógicas. “Nos melhores exemplos que descobrimos, o professor teve que buscar referências na sua vida pessoal para encontrar caminhos para solucionar problemas que antecedem muito a questão do conteúdo e interferem no processo de aprendizagem”, explica Heloisa Morel, diretora do Instituto Península.

Para entender os professores além dos números e dados, pesquisadores foram a campo para fazer 30 entrevistas em profundidade e fizeram dez vivências presenciais com 60 horas de filmagem, além de reunir informações de 20 diários on-line, com 3 mil horas de acompanhamento remoto do dia a dia de professoras e professores de diferentes regiões do Brasil. A pesquisa também envolveu a observação de seis grupos on-line de profissionais de educação que contam com mais de 1 milhão de membros. 

Com base nessa exploração, a pesquisa identificou seis elementos que interferem na prática do docente:

  • 1 – Identidade: a força das histórias de vida e as experiências pessoais dos professores são determinantes para sua prática. 
  • 2 – Reciprocidade: as experiências educacionais positivas ou negativas podem mudar a relação deles com a educação e a figura de professores-referência podem exercer influência sobre seu desejo de se tornar educador. 
  • 3 – Afeto: o aspecto relacional tem um impacto importante na relação professor-aluno.
  • 4 – Ambiente: é considerado um elemento chave na experiência educacional 
  • 5 – Coletividade: a maior parte dos professores não se sente parte de um projeto maior de escola.
  • 6 – Reputação: os professores e especialistas entrevistados ressaltam que a escola pública é envolta por um conjunto de simbolismos e preconceitos.

“Talvez a profissão do professor seja uma das mais complexas que o país tem. Ele tem que olhar muitas dimensões, não apenas o técnico”, ressalta a diretora do Instituto Península. Ao ampliar o horizonte para considerar elementos que vão além da didática na aprendizagem, ela menciona que essas soluções reforçam a necessidade de políticas públicas olharem para o desenvolvimento integral dos professores. “Nós não vamos conseguir formar alunos para os desafios do século 21 se os professores ainda não se sentem preparados para isso. De uma forma sistêmica, o desenvolvimento integral do professor não é discutido.”

Apesar da rede brasileira de educação básica contar com mais de dois milhões de educadores, entre outros destaques, a pesquisa também identificou um sentimento comum entre boa parte deles: a solidão. Para muitos professores, há pouco espaço de diálogo e troca de experiência com os colegas. “Seu olhar sobre a educação navega entre o prazer de ensinar e a frustração de não conseguir fazer os alunos aprenderem. Muitos sentem o peso de serem vistos como os únicos responsáveis por transformar a realidade das comunidades em que atuam, sentindo-se expostos e até vulneráveis com o desafio”, destaca o Observatório. 

Além de apresentar os principais destaques da pesquisa, o Observatório do Professor reúne textos e vídeos que contam histórias de educadores de diferentes regiões do país que atuam em diferentes contextos. “Com o desenvolvimento integral do docente, o domínio dos conteúdos e uma comunidade escolar fortalecida, é possível lidar com desafios dos alunos, conectar-se a eles e garantir ambientes de aprendizagem, construindo a ponte que liga ao conhecimento e influenciando positivamente todo o sistema educacional”, conclui o Observatório a partir de descobertas e reflexões da pesquisa.

 

Texto: Portal Porvir

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